Serpentes: cuidado ao levar seu animal para sítios
Por Thiago R. Salvador
Quando viajamos com nosso animal para fora de São Paulo sempre nos preocupamos com pulgas, carrapatos e as tão comentadas verminoses, mas, fora todos esses problemas, há também algumas outras coisas que devemos nos preocupar como, por exemplo, alguns animais silvestres. Entre eles, é muito comum encontramos serpentes (e algumas podem ser venenosas) em cidades fora de São Paulo, principalmente, em zonas rurais como sítios.
As serpentes do gênero Bothrops (como a jararaca) são responsáveis por 90% dos acidentes por serpentes na América do Sul. Em sítios, é bom termos cuidado por onde nosso animal anda, pois não só eles, mas nós mesmos estamos suscetíveis a encontrar uma jararaca em nosso caminho. Se isso acontecer, a melhor coisa é não mexer na serpente e deixar cada um seguir seu caminho, porém os cães não terão essa reação…
O que fazer em caso de acidente?
Caso um cão seja picado por uma jararaca, o melhor a fazer é manter a calma e manter o animal o mais calmo possível. O veneno quando inoculado causará vários sintomas, pois ele possui ações proteolíticas, coagulantes e hemorrágicas, sendo que os distúrbios hemostáticos são os sinais clínicos mais importantes. Quanto mais agitado o animal estiver, mais o veneno agirá nele.
Dos animais que sofrem acidentes com jararacas, poucos dos casos tratados culminam em óbito. Os casos mais graves geralmente decorrem de procedimentos incorretos tais como cortar o local da picada ou até mesmo o uso de torniquete. Esses procedimentos agravam a ação proteolítica do veneno, assim como aumentam o risco de infecção.
A gravidade do quadro clínico depende da espécie animal afetada, da sensibilidade individual do animal ao veneno, da quantidade de veneno inoculada, da espécie de serpente, do local afetado, do tempo decorrido após o acidente, entre outros fatores. A reação local é rápida e intensa e nas primeiras horas após o acidente, o animal já apresenta quadro de intoxicação.
Se seu animal sofrer um acidente ofídico, seja com uma jararaca ou com qualquer outra serpente peçonhenta, o melhor a fazer é:
- Manter a calma e deixar seu animal o mais calmo possível;
- Ir o mais rápido possível ao um médico veterinário;
- Se for possível, capture a serpente e leve-a junto com você, pois é muito importante reconhecer a serpente que inoculou o veneno em seu animal, pois assim poderá saber qual a ação do veneno e obter um tratamento mais fidedigno;
- Procure não matar a serpente, lembre-se que ela estava ali antes de nós – são os seres humanos que estão invadindo o habitat delas e não ela o nosso.
O quanto antes for aplicado um soro e feito o tratamento suporte para seu animal (como fluidoterapia e antiinflamatórios não esteroidais e outros, caso necessário), melhor será o prognóstico de seu animal de estimação.
Informações Técnicas
O processo inflamatório é causado pelas ações proteolíticas do veneno. As ações anticoagulantes e hemorrágicas também influenciam na evolução da atividade antiinflamatória. A ação anticoagulante, ao formar trombos na microvasculatura, provoca consequentemente hipoxia com agravamento de dor, edema e necrose tecidual. A ação hemorrágica amplia o quadro inflamatório por lesão do endotélio vascular que propicia o extravasamento de líquidos para o espaço intersticial. A nefrotoxicidade ocorre devido à ação direta do veneno sobre os rins, provocando lesão celular, e indiretamente é causada pelo choque hipovolêmico ou por meio de microcoágulos que provocam obstrução da microcirculação renal, levando à isquemia.
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Thiago R. Salvador (CRMV-SP 19.512) é médico veterinário da Clínica Veterinária Estação Zoo.
Estação Zoo: R Loefgreen, 1.484 – Vila Clementino – SP – (11) 5084.6912 – 5083.6495
Olá Galvão um grande abraço e obrigado pela oportunidade de meu cão fazer parte de seu filme (colégas ) coloca ai a foto do rag no blog !
um grande abraço!!! valeu!!!